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Como Matar Um Sapo de Lou­ça [II]

Ouço o sapo de lou­ça a cha­mar ban­di­dos aos resi­den­tes do bair­ro visi­ta­do pelo Mar­ce­lo, ouço‑o a per­gun­tar e então os por­tu­gue­ses?” enquan­to bran­de foto­gra­fi­as que os iden­ti­fi­cam, ouço‑o a defen­der um regi­me pre­si­den­ci­a­lis­ta por­que des­sa for­ma as pes­so­as ele­gem o seu homem”, ouço‑o dizer que será pre­si­den­te dos por­tu­gue­ses de bem”, ouço‑o dizer que mais dia menos dia um gover­no de direi­ta será impos­sí­vel sem a par­ti­ci­pa­ção do seu par­ti­do, e ouço tudo isto enquan­to em Washing­ton o Capi­tó­lio é ocu­pa­do por apoi­an­tes de um outro sapo de lou­ça, mas em laran­ja, que ape­lou à acção por­que não quer sair do lugar que per­deu, e há um cala­frio que me cor­re espi­nha aci­ma. Já não há espa­ço para equí­vo­cos, o para­le­lis­mo dos méto­dos e da inten­ção é evidente.
kristallnachtAo ver as jane­las que­bra­das na casa da demo­cra­cia” ame­ri­ca­na, não pude dei­xar de lem­brar-me de Wil­son e Kel­ling e da sua Teo­ria das Jane­las Que­bra­das” que resu­mi­da­men­te sig­ni­fi­ca que se que­re­mos evi­tar van­da­lis­mo, temos de resol­ver os pro­ble­mas enquan­to eles são peque­nos – se dei­xar­mos uma jane­la por con­ser­tar, elas serão par­ti­das uma após outra, e a casa van­da­li­za­da, ocu­pa­da, tudo por­que não tapa­mos um bura­co a tem­po, por­que não cor­ri­gi­mos a ano­ma­lia. Uma boa for­ma de come­çar­mos esses con­ser­tos por cá, seria alguém pro­ces­sar o sapo de lou­ça. Não creio que vir à tele­vi­são mos­trar foto­gra­fi­as e apon­tar o dedo a pes­so­as cha­man­do-lhes ban­di­dos”, tal e qual fez o sapo laran­ja nos EUA, seja algo que pos­sa ser fei­to impu­ne­men­te, e devía­mos come­çar a mos­trar isso já e claramente.